Tal como a água num rio que passa por pontes, por sítios, por gentes; nunca é a mesma. Vai e volta, "convive", mas não é a mesma. Com os anos passa-se o mesmo. Um ano novo aproxima-se e apesar de dizermos que vai ser igual a este, de talvez ainda ser pior que este... esperamos que seja melhor, sempre melhor. A rotina vai lá estar, (certamente); muito será igual, mas os dias nunca se repetem porque são únicos; não há dois dias iguais com a mesma data.
Para 2012 desejo sinceramente muita saúde e amor para todos. As concretizações a outros níveis também, mas são menos importantes que as duas anteriores. Uma coisa é certa, por qualquer coisa que desejemos, sabemos que não irá cair do céu, nem por a desejarmos tanto, será certamente suficiente; por isso, acarinhem, plantem o que querem que dê bons frutos na vossa vida.
A vida nunca foi fácil e sempre assim foi; desde que há memória. Os tempos estão maus? Sempre estiveram, não é? Talvez o melhor seja fazer uma lista numa agenda para 2012. Sei que alguns a fazem todos os anos; mas será que a concretizam? Sejam diferentes este ano e ganhem a coragem de fazer. Está frio? Está calor? Não apetece? Preguiça? Tantas desculpas... que por vezes arranjamos. O tempo, os anos passam e se não agirmos ficamos todos na mesma. Enfim... Cada um de nós tem o que faz e depois não adianta chorar por nada mudar ou até agravar.
Que 2012 nos dê sabedoria, coragem, força, inteligência e engenho e principalmente muita saúde e amor para partilharmos com quem nos é querido.
Existe uma obsessão pela perfeição e por falar disso vêm-me logo à memória os anúncios de perfumes, de formatos atraentes, que cujo conteúdo espera-se uma fragrância na mesma medida. Claro que são apresentados em modelos humanos que exteriormente são igualmente atraentes... Aqui trata-se apenas de gestão de marketing. Vender uma imagem para aquela mulher bela e de sucesso que tudo conquista. Para aquele homem esbelto que vence na vida. É apenas uma imagem embrulhada num belo embrulho de papel e fitas coloridas. Resulta no seu objectivo, afinal o mais comum do ser humano também gostava de ser bem sucedido na vida, no amor e se adquirir aquele produto assim parecerá...
A perfeição vive e convive connosco no dia a dia. Uma etiqueta ou código de barras que nos foi impingido como o caminho a seguir. Claro que não tenho nada contra a perfeição. Será no entanto que ela é igual para todos nós? Possui o mesmo significado? Seria o mesmo que gostarmos todos das mesmas coisas, o que seria muito pouco imaginativo. O que pode ser perfeito para mim pode não o ser para ti.
A imperfeição é inimiga da perfeição? Demasiado cliché. Fazer um trabalho bem feito, o melhor de nós só nos deixa bem connosco próprios. No trabalho é preciso que assim seja e na vida igualmente. Então porque defendo a imperfeição? Porque seria monótono que tudo fosse perfeito. Para viver também é preciso ficar despenteado às vezes. Gritar ou cantar, rir à toa. Talvez que aquele sinal imperfeito fica bem na perfeição do teu rosto. Talvez que eu não concordo contigo mas respeito o que dizes e pensas. Não somos perfeitos. Se fossemos, como medir a perfeição? Quem diria o que é mesmo correcto e certo? Todos temos receio do que desconhecemos e por vezes não arriscamos. Nascemos para sermos perfeitos ou para tentarmos ser felizes na melhor forma que podermos? Interessa viver e aceitar as nossas ditas imperfeições e as dos outros. Fazem parte de nós e se calhar algumas até podem ser muito atraentes e dar sal à vida.
Por entre estrelas e planetas os olhos brilham como as primeiras. Navegam levemente de estrela em estrela e demoram-se mais nos últimos. Lá longe, há tantas belezas a serem vistas. Tantas que não se podem contar. Por entre as nuvens de formas engraçadas e o Sol, cenário num fundo azul; os olhos sonham também. Há, como é bom sonhar! Como é bom "ver" estas belezas. Sentar ou deitar na relva e de nariz para cima a olhar. Fechar os olhos e ouvir o que envolve. Acalmar a mente, respirar mais devagar. Sorrir sem razão aparente.
Ali bem pertinho do mar, as aves passam, riscam o céu em voos graciosos e por vezes rasantes. Nas plumagens trazem o calor do Sol que se refrescam em algum salpicar de água. Mais alto, as de maior dimensão, alargam mais as suas asas e deixam-se ir ao sabor dos ventos. São como papagaios que giram e aproveitam as correntes. Como deve ser fantástico saber voar!
Ao longe um pequeno ponto faz mais som do que se poderia imaginar. Passa longe, mas dá para identificar. Um avião a jacto. Como é rápido e está tão alto.
Esfregou os olhos e pensou que quando fosse grande queria ser astronauta. Queria ir mais longe e conhecer novos mundos. Voar por entre todo aquele oceano cheio de cor e beleza. Levantou-se, abriu os braços inicialmente tímidos; de pés descalços na fofa e molhada terra da praia; encetou uma pequena corrida à beira mar.
Por hora era apenas um menino com muitos sonhos no olhar. Amanhã esperava ser um adulto em que esse olhar já tinha alcançado muitos desses sonhos. Como o de voar.
P.S.: A capacidade de sonhar deve de sempre nos acompanhar.
E então fez-se luz... De início era apenas natural e os habitantes terrestres passaram a ter claridade nas suas vidas. Veio depois a idade das trevas e foi um período muito obscuro; em que as mentes não foram luminosas e viviam quase numa obscuridade total. Ai de quem fosse diferente; mais evoluído com ideias próprias...
Isso já lá vai, mas as mentes (se calhar), não estão mais brilhantes e a luz que agora podemos dispor vinte e quadro horas por dia; dita electricidade; veio tornar as nossa vidas mais cómodas, mais agradáveis e durar momentos que aproveitamos a nosso bom proveito. Mas o proveito não é somente nosso, porque o monopólio energético está nas mãos de uma única empresa. Ela dita de sua justiça; gasta no que lhe convêm; faz publicidade sem ter concorrentes; faz-nos pagar caro por isso e nós sem luz não podemos viver.
A partir de hoje a electricidade fica mais cara e não é justo. Mas quem disse que a vida é justa? Seja como for, ainda bem que há as lâmpadas económicas e as lâmpadas de led. Gastam muito menos e duram muito mais. São uma ajuda preciosa para quem (nós) é obrigado a pagar cara a factura... eléctrica.
Faça-se luz; mas que seja feita com justeza para todos. Será que ainda vamos ter que voltar aos candeeiros a petróleo? Afinal, também não nos saia mais em conta.
E então fez-se luz... e a natural é a mais límpida e bela de todas. Ah, e não paga imposto (ainda)
A ampulheta media o tempo no seu compasso. Era pesada em cima da grossa madeira da secretária. Os olhos hipnotizados sorviam a sua façanha.
Na mão um livro pendia-lhe e os olhos meio estremunhados denotavam sono. Girou a cabeça para ao lado contrário da secretária e fechou-os. Pela inércia dos movimentos e pelo abandono dos sentidos; o livro caiu no chão de mosaicos claros. Fez pouco estardalhaço e o sono já galopava por sonhos.
Um deserto de areias douradas, onde uma enorme ampulheta parecia tragar e mover por si toda a areia. Trabalho árduo e infindável. O tempo também não tem fim, e somos nós que passamos por ele. Aproximando-se mais da gigantesca ampulheta reparou que não era só a areia que lhe passava, mas vida também. Gentes, animais, natureza. O "gastar" de vidas que se esgotavam e escoavam. Era muito rápido e o movimento nunca parava. Fez-se de noite; o Sol deu lugar à Lua e aos seus raios; tudo continuava. Era fascinante ver tudo aquilo e saber que algures por ali também andava.
Olhou para o deserto e apareceu-lhe algo na visão; parecia um almofariz. O seu cérebro não compreendeu para que serviria. Uma ruga aflorou na sua testa interrogativa. Avançou e então apercebeu-se das funções do objecto. Tornava a areia mais suave, mais macia, mais fina para ser absorvida pela ampulheta. Sabia que tragar todo o deserto demoraria uma eternidade e talvez por isso significasse que as areias corriam mais afoitas ou menos fluídas na ampulheta. Teria isso algo a influenciar as vidas que por ela se escovam; até chegar a sua derradeira viagem? Se calhar seria por isso que as vidas de uns eram tão mais aprazíveis e a de outros muito menos.
O Sol surgio de novo no horizonte e feria-lhe os olhos. Pestanejou por momentos e instintivamente colocou uma mão em frente dos mesmos, para os proteger. Ficou assim mais alguns instantes até os abrir plenamente. Olhou ao redor e lá estava a grossa secretária com a ampulheta que tragava a areia... e as vidas ao seu compasso. Não estava no deserto; mas deitada no pequeno sofá do escritório e reparou então no livro caído no chão. Sentou-se e apanhou-o. A capa dizia, "A Máquina Do Tempo" de H. G. Wells. Deixara-se levar pela fantasia do escritor. Das suas viagens por uma possível Terra futurista. Por o que poderia acontecer à humanidade. Ficou um pouco pensativa sorrindo de seguida. Encolheu os ombros, colocou o livro em cima da secretária, encaminhou-se até à cozinha onde tomou um pequeno almoço de cereais. Era fim de semana e relativamente cedo, o relógio marcava oito e dez da manhã. Olhou para o chão e algo lhe chamou à atenção; o que era aquilo de cor amarela? Baixou-se e por entre os dedos passaram grãos de areia dourados. Abriu muito os olhos e abrindo a porta para a rua, um outro tanto encontrava-se do lado de fora. Sentiu um arrepio, mas não de frio, afinal era Setembro e o tempo ainda estava quente. Beliscou-se e sim, estava acordada. Vislumbrou a rua e do outro lado viu um monte de terra da mesma cor. Parecia que iria haver obras ali. Uma casa iria ser erguida ao lado do velho barracão que permanecia sempre fechado. Nunca soube quem seria o dono daquelas terras; mas agora notava que um rasto de terra, levado pelo vento talvez; vinha de lá até à sua porta e à dos vizinhos do lado. Sorriu novamente e pensou para si. "Ai a tua imaginação. É o que faz em leres e veres filmes do H. G. Wells". Parou de repente e olhou o armazém escuro e aparentemente abandonado. E se, e se por acaso... ali dentro estivesse uma máquina do tempo? E se o dono daquelas terras fosse um cientista visionário? E se ela afinal até estava certa? Abanou a cabeça, girou em direcção à garagem de chave em punho e deu os seus pensamentos por terminados.
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A segunda versão do filme, "A Máquina Do Tempo". Encontrei o filme desde dividido por partes no YouTube. Na verdade, o meu filme favorito é o de 1960. A primeira versão.
As 836 páginas nunca foram-me enfadonhas. Queria sempre saber os acontecimentos seguintes. Foi daqueles livros que me "agarrou" e não me decepcionou.
O nosso planeta, nós e a invasão de outros seres. A junção do corpo de um lado e a alma do outro. As dualidades, a fusão de ideias e idealismos. Os movimentos estranhos e familiares. As raízes que nascem de um ser belo e puro pelo fascínio do que é ser humano. Podemos ser tão medonhos mas ternos também. As contradições, afinal. A sobrevivência, a capacidade de ser imparcial e visionar o que está correcto ou não. Mesmo que disso surja dano pessoal. Lutar, mesmo quando as forças físicas e mentais estão simplesmente esgotadas. A motivação de "uma espécie de amor", que por ele tudo merece a pena...
Um planeta invadido com a possibilidade de guardar o melhor de duas espécies.
P.S.: Não sei se farão um filme e espero sinceramente que sim. Sei que a data de lançamento do livro foi no dia 10 de Março de 2009, (Coincidência? Não há coincidências). Seja como for deixo um trailer da apresentação do livro.
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